É preciso que ao contemplar uma arte, você contemple todos os mundos que estão em você, contemple o seu modo de ser como pura potência de variação,contemple as forças infinitas que te atravessam e te produzem novos pensamentos, novos devires.
O verdadeiro nobre de espírito não renuncia a si mesmo em qualquer ação que venha a executar, porque a ação de um guerreiro é pautada em uma ética que não começa já com uma idéia pré-concebida ou em uma consciência moral, mas na sua própria criação de valores pois que são criadores de vida e por criarem vida não são determinados desde fora.
A idéia sem atravessamento de forças afetivas, sem acontecimentos é pura imagem.O nobre de espírito não crê numa forma universal do ser. Fomos criando uma imagem representada do mundo e, assim, a razão foi ficando separada da vida. O nobre inventa pontes, passagens, para que vá se transmutando.
A função de um nobre é a de reinventar mundos, como nos diz Deleuze, nós somos o delírio dos povos ,das raças, das tribos, das civilizações.
E somos a expressão afetiva, ética, estética, política desta multiplicidade de mundos.
Somos todos os nomes da história, parafraseando Nietzsche.
E é por tudo isto que construímos pontes, para sermos facilitadores das passagens afetivas , encontros e produções subjetivas.
Traga para nosso encontro seus bendizeres, suas palavras, mas as traga desencapadas para compormos juntos uma língua estrangeira que dê conta de nossos mundos afetivos. Pensar é pensar o horizonte de uma potência numa perspectiva. É a memória de futuro chegando e acontecendo. Pensemos então: A que tipos de vidas servem os juízos?
“Filosofia, Crítica e Clïnica” é a função de nosso encontro.
Tendo a Filosofia como o impulso máximo de abertura da existência com uma ética que opera no pensamento para elevar a existência ao máximo eliminando a culpabilidade da existência. Tornar-se amoral por uma questão de gosto estético.
Por isso convidamos você para contemplar obras de arte no sentido de inventá-las, pois não há algo pronto para ser interpretado.
Ir ao encontro de uma zona que desloque algo em você: Um modo de perceber novo, por um desejo em variação para que algo se passe e se torne mais intenso em seu em torno.
Para quê tornar a vida desinteressada !
Operar a arte do silenciar para contemplar de forma interessada o acontecer de um outro e de nós mesmos. Como nos diz Fernando Pessoa:
“Há um tempo que é preciso abandonar as roupas usadas, que já têm a forma de nosso corpo, e esquecer nossos caminhos, que nos levam sempre aos mesmos lugares. É o tempo da travessia: e, se não ousarmos fazê-la, teremos ficado, para sempre, à margem de nós mesmos”.
Então, nós como terapeutas, construtores de pontes, facilitadores de criação de novas almas, novas vidas, novos caminhos e modos de caminhar, nos cabe cartografar sem cessar novas políticas de subjetividade.
Uma subjetividade mais esquizo, uma solidão positiva, não mais vínculos, mas contigüidades de velocidades. Uma subjetividade mais fluxionária, mais rizomática, mais de vizinhança e ressonância, de composição de movimentos, como nos ensina os filósofos da alegria.
Transformar as palavras ridículas em cartas de amor. Esta é nossa função.
Citando Ítalo Calvino: “Quem é cada um de nós senão uma combinatória de experiências, de informações, de leituras, de imaginações,
invaginações - digo eu .Cada vida é uma enciclopédia, uma biblioteca, uma amostragem de estilos, onde tudo pode ser remexido e ordenado de todas as maneiras possíveis.
A multiplicidade como o fora do self, uma obra que nos permita sair do eu individual, não só para entrar em outros eus semelhantes aos nossos, mas para fazer falar o que não tem palavra – o pássaro que pousa no beiral – a árvore na primavera – a árvore no outono – a pedra – o cimento – o plástico”.
A vida não pode ser pobre e não podemos viver a vida como prisioneiros a céu aberto, fazendo das palavras de Toni Negri , minhas.
A vida é para ser queimada, consumida e reinventada!
É preciso liberar a vida daquilo que a aprisiona e acreditar em um mundo em que somos capazes de suscitar acontecimentos ,mesmo pequenos, que escapem ao controle, à disciplina e engendrar novos espaços-tempos, mesmo de superfície ou volumes reduzidos,como nos fala Orlandi.
É preciso ser digno do que lhe acontece.
PARA QUÊ TORNAR A VIDA DESINTERESSADA !
Heloisa Antônia Franco.












Transbordamentos de um dia de inverno...
ResponderEliminarque coisa mais linda tanta energia nessas imagens e palavras... como me senti aí presente... sintam-se beijadas, abraças, com saudações alegres, e muitas, muitas saudades..............
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