domingo, 9 de octubre de 2016

Lacan e as relações de sentido



         Há dois Lacans, um, anterior a 1949, psiquiatra, preocupado com questões da personalidade, provar a cientificidade desses fenômenos, através de um método compreensivo. Visa estabelecer os fundamentos de um saber sobre o subjetivo. Quer demonstrar que os fenômenos da personalidade tem uma intencionalidade, um sentido.
         É possível criar uma psicologia Científica, ou fazer ciência da personalidade, que se limite às relações de compreensão, ou de sentido?
         Em primeiro momento, para responder a esta questão, deveremos precisar os termos do problema, com o que é ciência, Ciência Natural, da História, do homem. Quais são os critérios para tornar determinados conhecimentos científicos.
         No segundo momento, tentaremos analisar, a possibilidade de tornar científica uma Teoria que se limite às relações de sentido ou de compreensão. Recorreremos á tese de doutorado de Medicina de Jacques Lacan “Da psicose Paranóica em suas relações com a Personalidade”, defendida em 1932.
         Em terceiro momento, retomaremos o 2º Lacan, após 1949, e como ele reconsiderou a questão do Inconsciente, estabeleceu-se a partir do significante, e como a teoria do inconsciente vem ocupar um lugar muito particular no campo de discurso aberto pela indagação filosófica; se distingue do discurso filosófico por afirmar uma verdade puramente parcial, enquanto o discurso filosófico afirma que existem a Verdade parcial e a total“o discurso filosófico, não importa de que maneira o tomemos, parece incapaz de dizer o inconsciente”.  (Ajuranville, p. 12).

Dizem que para filosofar e compreender o ser das coisas e do mundo, é preciso ser sábio.

         Acredito que a sabedoria só é alcançada quando se atinge um determinado saber transformado em  poesia, pois se torna leve e parte do próprio ser, corporificado.
         Este é a tentativa de abrir um caminho dos primeiros passos, no desejo, de aprender alguma vereda desse novo saber que não se sabe.
         Seria científico, a Psicologia que se limite às relações de compreensão?
         Penso que convém fazer uma definição de ciência para que tenhamos instrumentos para podermos analisar a questão das relações de compreensão, e chegarmos à algumas conclusões.
“Uma ciência é um sistema de apropriação cognoscitiva do real e de transformação regulada desse real, a partir da definição que a teoria da ciência faz de seu objeto. Uma ciência é um sistema de produção de conhecimento acerca do real.
É o real que fornece condições para que se produza um conhecimento sobre ele, quer dizer, é o real que determina o pensamento e não o pensamento que determina o real. Em psicanálise o real é o ´pensamento`, mas esta contradição é aparente porque como objeto o pensamento se opõe, como real, do pensamento cognoscitivo que o estuda.” (Baremblitt, p. 17).
         Não há nenhuma ciência que possa impor um critério de cientificidade à outra, por mais evoluída que seja, sem considerar a natureza específica da realidade de que cada uma se ocupa, segundo Baremblitt.
         O pensamento epistemológico do Ocidente é dominado pelo Empirismo, que tem como pressuposto de que seu método científico é o “método da ciência” por excelência, que é o método da física e de outras ciências naturais. Isso significa que toda disciplina que não seja igual à Física não é científica. Existem alguns estudiosos que já acreditam na cientificidade da Psicanálise. A epistemologia francesa, baseada nas postulações de Althusser, Miller, que fizeram investigações sobre a Psicanálise lacaniana, ao ver de Baremblitt foi a primeira espistemologia que começou a resgatar esse caráter de cientificidade, com plenos direitos.
“Dizer que a Psicanálise é uma ciência segundo a Epistemologia, é aceitar também, como critérios similares (não idênticos) que a lingüística estrutural depois de Saussure, a Antropologia talvez já a partir de Levy-Strauss, é uma ciência da História, o Materialismo Histórico, é ciência; e a Psicanálise, por esse mesmo critério também o  é. Não é ciência formal, não é ciência natural, é uma das ciências chamadas impropriamente do homem, e mais pertinentemente de ciências históricas e ciências da cultura: a ciência do Psíquico.”  (Baremblitt, p. 19).
         Falar em ciência, implica em falar de critérios de cientificidade distintas à cada ciência da História e da cultura. O primeiro critério que se exige é diferenciar um movimento aparente no nível dos fenômenos, e um movimento real, no nível das causas. A Segunda afirmação é que o nível das causas não coincide com o dos fenômenos. O nível das essências se mostra e se oculta simultaneamente no nível das aparências. Se o nível das essências coincidisse com  o das aparências seria desnecessário a  ciência.
         A ciência do signo, da cultura e da História pressupõe deciframentos dos movimentos do real, do aparente e das leis que regem a transformações do real no aparente. As ciências irão produzir  um conhecimento crítico do manifesto que explicita um sentido oculto, não sensível.
         Para fazer o deciframento, a ciência necessita de um  objeto formal abstrato próprio, quer dizer, uma teoria que dê conta de seu objeto. “seu objeto é formal e é abstrato, é uma construção, está sempre mais além de sensível”. (Baremblitt, p.19). Seriam as relações de compreensão, relações de sentido, o objeto formal abstrato da Psicanálise Lacanina? Este objeto que é não – sensível, que não se vê, que não se toca, mas que “está” no sujeito psíquico?
         O objeto formal abstrato da Lingüística não é a descriação do ato da fala, mas sim, a linguagem. É uma ordem formal abstrata, uma combinação finita de elementos formais possíveis, que é capaz de gerar todas as mensagens infinitas da Língua. Os efeitos gerados por essa fala não são confundidos com a fala em si. Assim como quando Lacan, aborda a questão do Inconsciente, que se estrutura como uma linguagem. São as possibilidades infinitas de combinações de representações, em processo de condensação e deslocamento que vão permitir múltiplas relações de sentidos, também múltiplos.
         E o objeto formal da Antropologia, não são os mitos, os ritos, os costumes, os totens, os animais, os instrumentos, os tabus, o proibido, “ O objeto formal abstrato da Antropologia é uma estrutura, quer dizer, uma combinação formal que pode ser posta em operações lógicas que têm um número mínimo de lugares e de combinações possíveis, que permitem explicar a variação infinita em que se manifesta o texto dos ritos, dos mitos, dos totens, dos tabus, etc”. (Baremblitt, p.19). Não é da ordem do sensível também, nem do referencial externo.
         E o objeto formal abstrato da história e da sociedade é o conceito de modo de produção: instância econômica, ideológica e política. Esse modo de produção se realiza na forma de ser dos povos e nações. Também não é da ordem do sensível.
“E a psicanálise? Qual é o objeto da Psicanálise? É a conduta humana? Não, porque a conduta humana se descreve. São os reflexos condicionais como querem alguns analistas americanos? Também não. Esses conceitos são neurofisiológicos e não fazem a especificidade do psíquico, O comportamento? Não. Esse é objeto da etologia. O objeto da Psicanálise é a mente humana entendida como um âmbito subjetivo vivencial, como o que ´eu sinto ou penso?` Não. Porque apesar de a mente humana não poder ´ver-se`, cada proprietário de uma mente acredita que a experimenta. As emoções? Não. Os sentimentos? Não. O objeto da psicanálise é a  sucessão de estrutura teórica que produziu Freud para esclarecer efeitos incompreensíveis da vida psíquica como o sonho, o sintoma ou o ato falho, a partir de suas causas inconscientes. A primeira tópica: o Inconsciente, o consciente, o Pré-consciente. A Segunda tópica: ego, id, super-ego. A teoria pulsional, o complexo de Édipo. Com esses objetos, a psicanálise pode esclarecer a relação entre o aparente e o real.” (Baremblitt, p.23).
         A ciência sempre produz um descentramento. Freud descentrou a consciência. A ciência necessita diferenciar o nível das causas do nível dos efeitos, pensar que as aparências nos enganam e que devemos estudar as formas em que as causas nelas se manifestam e nelas se ocultam.
         Lacan aceita duas teses. Primeiro, que a psicanálise é uma ciência, segundo, recusa qualquer leitura da Psicanálise que parta da noção empirista. Intenciona fazer uma ciência da Personalidade, ou seja, uma psicologia científica que se limite às relações de compreensão.
         Para Althusser, a psicanálise apresenta um conjunto orgânico dotado de estrutura formal análoga a uma ciência. Possui uma prática (a cura), uma técnica (método analítico) e uma teoria (que se relaciona com a prática e a técnica).
         Se ela puder construir um objeto teórico, irredutível a qualquer outra ciência ou projeto filosófico, é uma ciência.
         Lacan toma como seu objeto formal abstrato as relações de sentido, através do método compreensivo. Desvincula essa noção de fenomenologia, no sentido de que não faz dos fenômenos o seu objeto, mas significações subjetivas que atuam no sistema de relações humanas,  em detrimento de uma ordem de determinação fisiológica.
         Lacan deseja fazer da Psicologia uma ciência, e destacá-la completamente de suas origens metafísicas. Pretende fazer uma diferenciação nítida do que é subjetividade experimentado e do que se objetivamente constatato, para chegar a uma concepção de personalidade. Entende a personalidade conceituada até o período de 1949, como constituída  partir de estados sucessivos numa evolução continuísta, estados não separados por rupturas, mas sim estabelecendo relações compreensíveis entre si  tendo um sentido,  sem que se faça necessário a descoberta de uma lei de sucessão causal. São estas relações de compreensão que irão permitir encontrar uma ordem nas reações emocionais, nas representações, nos atos e no simbolismo expressivo.
         Desde 1930, Lacan introduz a noção de estrutura, intencionando, fazer ciência da Personalidade.
         Em sua tese, “Da Psicose Paranóica em suas relações com a Personalidade”, pretende descobrir as determinações da psicose, partindo de um ponto de vista doutrinário.
“portanto, é desse doutrina que nos importa, sobretudo, fixar, a natureza e o alcance, o valor científico e o valor metodológico.” (Lacan, p. 313)
“É o postulado que cria a ciência, e a doutrina, o fato. O que faz o valor de nossa ciência é a lei de economia  que ela se impõe nos postulados que a fundem. É nesse plano que pretendemos defender nossa tese.” (Lacan, p. 314)
         Lacan pretende fazer uma ciência da personalidade através de uma física explicativa, quer dar conta dos fenômenos psíquicos nas suas relações de compreensão. Se pergunta por que indagar os fatos se o inatismo de seu determinismo já está decidido?
         Compreender significa dar sentido humano às condutas as fenômenos mentais que os sujeitos apresentam, não ao fato em si, mas às intenções desses atos, representações, afetos. Faz observações objetivas a estes fenômenos uma tentativa de se equiparar aos métodos de observação próprios às ciências naturais como um observador do comportamento animal.
         Começa por definir o desejo como um certo ciclo de comportamento. A psicopatologia será tomada e observada em sua totalidade, visando sempre compreender a sua intencionalidade objetiva, a tendência concreta de cada ato. A partir da demonstração dessas tendências, de ciclos significativos e por um grande número de fatos, se chega a uma relação de  compreensão, e a uma ciência da personalidade. Mas como? Para ser ciência se faz necessário que cada descoberta científica tenha valor universal, quando isso não ocorre, ou seja, quando apareceu as diversidades catacterológicas, Lacan explica esse polimorfismo por uma variação de intensidade das tendências concretas que a determinam. O ponto de vista econômico desempenha papel importante na ciência psicológica.
         Esses fenômenos da personalidade são definidos a partir de três dimensões, por sua essência humanamente compreensível:
1ª) Por um caráter individual – desenvolvimento biográfico, história do sujeito – Ele se traduz para o sujeito – Ele se traduz para o sujeito segundo os modos afetivos sob os quais ele vive sua história – são momentos  únicos da história e da intenção individuais.
         Essa dimensão não tem uso científico, porque só há ciência do geral, não há ciência do particular. Seria preciso universalizar toda a experiência humana, o que é impossível. A partir dessa dimensão não se faz ciência da Personalidade.

2ª) Caráter estrutural – fenomenologicamente dado -  momentos típicos do desenvolvimento histórico e da dialética das intenções. Ele se traduz para o sujeito segundo as imagens mais ou menos  “ideais” de si mesmo que ele traz à consciência.
         Também não é por esse viés que a ciência da personalidade irá se constituir. Por este viés caímos na metafísica das  essências e perdemos de vista aquilo que causa o fenômeno psíquico. É, em si mesmo, estranho ao  determinismo existencial que define toda a ciência.

3º) Caráter social -  cuja gênese ela própria social – leis mentais de participação, explica e existência de fato. Há aí, “uma certa tensão das relações sociais, que definimos objetivamente pela autonomia pragmática da conduta e pelos elos de participação ética que aí são reconhecidos – ela se traduz para o sujeito segundo, o valor representativo pelo qual se sente afetado em relação a outrem.” (Lacan, p.31)
         Somente a gênese social daria para fazer a ciência da Personalidade. Segundo Lacan, é aí que se encontra a chave da verdadeira natureza das relações de compreensão, mas não se deve negligenciar nenhum dessas dimensões no estudo psicoclínico da realidade da personalidade.
         O ponto de vista social pode ser tomado como científico em 2 direções: oferece fatos que são da ordem do quantiticável (estão em movimento, são mensuráveis e extensivos) e oferece uma armadura conceitual comunicável.
         Lacan se apropria do conceito de contrato social (Levi-Strauss), relação que já são determinadas a priori “antes de qualquer experiência, antes de qualquer dedução indivisível, antes mesmo que se inscrevam as experiências coletivas que só são relacionáveis com as necessidades sociais, algo organiza esse campo, nele inscrevendo as linhas de força iniciais.
         É a função (. . .) classificatória primária.” (Ogilvile, p. 42).
         Se o fato é tomado possibilidade de cientificizar por ser mensurável, extensivo, tendo portando dimensões espacial, Lacan está atribuindo ao psíquico noções de espacialidade pretendendo das dimensões espaciais à ciência da compreensão, tomando a física como modelo, e não o modelo da História. Aqui nós vemos que Lacan ao mesmo tempo em que rejeita o empirismo, o toma para dar conta da cientificidade da Personalidade. O psíquico não é redutível ao espacial, se move na dimensão do tempo e não do espaço.
         Com relação á questão da armadura conceitual, enquanto tomada científica da gênese social, Lacan traz a linguagem, como fator de ligação entre as culturas e os indivíduos, os colocados em uma “ segunda natureza”, definindo o seu lugar e sua função. Toma de empréstimo de Lévi-Strauss a idéia de anterioridade. “É a lingüística, cujo modelo é o jogo combinatório operando em sua espontaneidade, sozinho, de maneira pré-subjetiva, é esta estrutura que dá seu estatuto ao inconsciente. É ela, em cada caso, que nos garante que há , sob o termo de inconsciente, algo de qualificável, de acessível, de subjetivável.” (Lacan, Seminário 11, p.16)
         Há uma invariante em toda as relações humanas. Segundo Foucault,  a maior contribuição de Lacan à Psicanálise, foi ter mostrado como, através do discurso dos pacientes, “que são as estruturas, o próprio sistema da linguagem – e não o sujeito – que falam . . . antes de toda existência humana, já haveria um saber, um sistema que redescobrimos . . . o que vem a ser este sistema anônimo se sujeito, o que é que pensa?” (Lacan, p.45)
         Po que Lacan não matou o sujeito, já que a Psicanálise lhe dava condições?
         Lacan estava tentando conciliar o inconciliável. Conciliar o fato  com a armadura conceitual. Conciliar a experiência humana e o conceito.    
         Foucault aponta as oposições na filosofia francesa, por um lado esta, a filosofia da experiência, do sentido e do sujeito (Sartre e Merleau-Ponty), por outro está a filosofia do saber, da racionalidade e do conceito. Lacan retoma essa questão em seu seminário das relações entre a ordem da ciência  e as  ilusões do sujeito.
“Os conceitos têm sua ordem de realidade original. Não surge da experiência humana. As primeiras denominações surgem  das próprias palavras, são instrumentos para delinear as coisas. Toda ciência permanece, pois, muito tempo nas trevas, estravada na linguagem. (Lacan, Seminário, p.10)
         Lacan, enquanto psiquiatra, nomeia os fenômenos observados em seus clientes (intenções, desejos, alucinações) que são os dados mediatos da consciência. “Essa ´má linguagem`, a conceitualização efetiva da subjetividade, de seu sentido, deve constituir um obstáculo. Afastar-se da má linguagem é arrancar o sujeito e seu sentido ao sistema de vocabulário que regula sua inserção na filiação que o reivindica habitualmente e á qual o entrega o cientismo, para apreendê-lo por um ponto de vista inteiramente outro, o do conceito, na perspectiva de uma conceptualidade não cientista (monista), mas diversificada e específica.” (lacan,  p. 36-7).
         Quem conceitualiza é o analista – objetividade com pretensão científica, mas esse mesmo analista tem sua subjetividade. A experiência humana é observada através dos fenômenos psíquicos manifestos no cliente, que tem também subjetividade própria.
         Se coloca a questão da cientificidade. A ciência precisa de um objeto. O objeto não é neutro, no sentido de que o objeto psiquismo se constitui numa relação, numa estrutura na qual o analista faz parte. Não há o desnível hierárquico, fator de objetividade que se espere encontrar numa observação com pretensão científica.
         Sujeito e objeto se confundem. É impossível deixar de lado as intenções do observador nesse caso.
“Essa ciência, conforme nossa definição de personalidade, tem por objeto o estudo genético das funções intencionais, nas quais se integram as relações humanas de ordem social. É uma ciência positiva.” (Lacan, p. 321)
O ponto de vista estrutural e formal escapam a esse positivismo. Não têm dimensão espacial , mas sim temporal. O tempo na história do sujeito, e em sua estrutura. Como explicar as relações de compreensão sem  espacializá-las?
Lacan coloca que o individual e o estrutural estão contidos na dimensão social, através de leis mentais de participação.
Mas sabemos que o ponto de vista estrutural e formal não são dimensões que dão cientificidade à psicologia, por serem da ordem do particular. Constituem objetos de uma ciência não positiva, ou seja, se Lacan toma essas dimensões, ele cai na fenomeologia. Por isso lacan propõe para estudar os fenômenos mórbitos, o método próprio dos fenômenos de personalidade, que ele chama de método compreensivo. Através deste se torna possível a confirmação de suas premissas e o aparecimento de dados novos para o progressivamento de sua aplicação.
Através desse método se busca compreender a trama que determinou a forma de ser do sujeito do mundo. Determinações que estão para além da Consciência do sujeito. Determinar a multiplicidade de sentidos.
Para explicar essas determinações dos fenômenos psíquicos, Freud recorre a uma explicação empírita, referenciada à fixações da libido no percurso do desenvolvimento sexual, e tenta solucionar a questão das lacunas da consciência, fazendo equivalências simbólicas. Lacan queria fazer ciência, compreender as relações de sentido, o que as determinava. Produz então, uma hipótese com caráter de axioma. Há uma INVARIANTE  que é o responsável pelo determinismo específico desses fenômenos.
Determinismo psicogênico. É um postulado indemonstrável e que funda legitimamente qualquer ciência, e define para cada ciência seu objeto, seu método e sua autonomia.
Lacan irá fazer psicogênese das funções intencionais até 1949. Fazer teoria das funções intencionais é fazer teoria da libido. As fases da libido tem uma psicogênese que irão determinar a forma de agir sobre o mundo, determinam uma forma intencional. Esse determinismo é uma condição A PRIORI do conhecimento científico. Deseja encontrar o determinismo próprio da personalidade nas relações de compreensão que para que ele, é um problema de tópica causal. Há uma invariante em todo sujeito que é responsável por esse determinismo. Como vai chegar a esse determinismo? É através do narcisismo na relação com o outro, que é uma relação universal.
Após 1949,  Lacan abandona a questão de psicogênese das funções intencionais, porque se é postulado axiomático, deixa de ter sentido perguntar o que o determina. O fato está aí já definido. O que interessa são as relações de sentido desses fatos. Há organicidade do psíquico. Todo o sintoma tem uma causalidade psicogênica. Há cadeias causais na produção de sintomas, tanto a nível fisiológico ou lesional (dissociação de funções),  quanto a nível de motivações psicogênicas.
Novamente se coloca o problema da dimensão individual e estrutural.  Há as diferenças individuais e a forma particular de agir e incorporar o mundo. O problema da caracterologia. A questão do inatismo, da constituição, da hereditariedade, fatores que fundem as diferenças individuais quanto às propriedades biopsicológicas, só deve ser relevante quanto se tratar de uma função cujo desenvolvimento estiver ligado á história do indivíduo, ás experiências que nele  se inscrevem, à educação pala qual passou.
À cada estrutura está ligado uma função intencional. Se toma axiomaticamente, não é preciso encontrar gênese empírica para ela. Fazer psicogênese das funções intencionais não é fazer psicologia do desenvolvimento. Não há eu oral, anal, fálico como substituto de fixação em  uma dada fase, mas há um conjunto de relações obetais oral, anal fálico . . .
O sujeito como é prematuro, necessita se pensar como um todo, então ele antecipa e se constitui numa relação com o outro. É isto o que determina as intenções, que constitui a intencionalidade do sujeito é sua relação narcísica com o outro. A história de como o sujeito se diferencia do outro é a história da psicanálise.
Dizer como as estruturas se constituem é cair na metafísica, na fenomenologia. Por isso parte de um axioma. O sintoma é posterior ao processo primário. À causa é anterior ao efeito. Após o acontecimento, ele deverá ser significado.
Esse retorno a Freud se tratava para Lacan de romper com todo psicologismo, antropomorfismo e finalismo freudiano, o que há de novo em Lacan é “o fato de abordar essa questão pelo viés da trama filosófica que ela representa (. . .) É esse ponto de vista que vai dar seu espaço particular a toda a obra de Lacan, indissoluvelmente técnica e filosófica.” (Juranville)
         Lacan substitui o empirismo freudiano pela linguística estrutural. Recusa os dados sensoriais, coloca no lugar do empirismo um eixo hermenêutico. Tenta articular a técnica com a filosofia. Responder a essas duas questões e não consegue. Tem pressuposto filosóficos diferentes dos de Freud, mas não consegue criar uma filosofia própria. Ainda está num viés epistemológico da Psicanálise. Além de colocar a questão do conceito energético em toda compreensão manifesta do comportamento, fala de tantas outras formas de estruturas conceituais, de uma intencionalidade primitivamente social. Mas no âmbito hermenêutico fala de função indentificatória do espírito do espírito e da irredutível diversidade do fenômeno. “ são expressos das bases epistemológicas sem as quais seria inútil falar de ciência desses fenômenos.” (Lacan, p. 336)
Está preocupado com as exigências que a ciência impõe para um lado dado conhecido, e com a questão do modelo da Física, positivista. (questão energética, determinismo exitencial sem o qual não há ciência).
Está querendo encontrar relações de sentido para os fenômenos, sentidos que  só podem remeter à ciência da História, ou a ciência do Homem. Mas, como quer que sejam, ciência, como modelo da ciência natural, introduz a noção de lei, pensada na tradição empírita, como enunciado universal, e relação de dedução. Só que a História substitui leis por tramas. Então já não fala de leis, mas de regras, normas. Porque a história apresenta diversidades, e a lei não resiste a casos contrários. São sempre leis da natureza. As regras são humanas. A lei é do domínio do ser, de como as coisas são. As regras do domínio do dever, de como devem ser. Todos os pressupostos colocados por Lacan são regras, não podem ser  formulação como leis, porque são humanos.
A exceção não liquida a regra. Se não é doutrinada física, é normal. Se os fenômenos são racionais eles seguem regras, são normativos. A normatividade implica em intencionalidade, em sentido (sonhos, atos falhos . . .). Por isso, seguir regras é algo da ordem, ou da dimensão social. Lacan não resolve essa questão. Está atento á questão do sentido á nível individual e estrutural. Toma de empréstimo da física a questão das leia física. Se o aparelho psíquico fosse descrito como processos bioquímicos não haveria necessidade da Psicanálise. O social para Lacan está fundado na experiência universal do sujeito que deseja o reconhecimento do outro. Mas difícil se faz afirmar que essa luta pelo reconhecimento é uma lei. È uma regra de funcionamento do desejo humano. Não há sujeitos que recusam essa lei, porque ela é NORMA. N a psicanálise não há leis. A lei é uma questão ontológica, do ser. Tratar de sujeito psíquico intencional é tratar de convenções, do naturalizar a Psicanálise que o sujeito seria trazer um inconsciente deve ser pensado como objeto no mundo, numa abordagem fisicalista.
         Lacan vai tentar dar dimensão física à intenção, libido com intenção, e descobrir regras que o sujeito segue,  e assim chegar no determinismo das relações de compreensão. Existe uma regra invariante do além, que é a regra pela luta do reconhecimento. Lacan vai mostrar que não são estruturas biológicas  nas esquemas, como formas de se relacionar com o  mundo.
A estrutura fundamental e´ a fase do espelho. Possibilitando contornar a questão genética e fugir da questão da temporalidade.
Há dois métodos para se estabelecer a existência de um objeto:
1º) se faz uma verificação experimental como na química ou biologia. Isso permite uma previsão de certos acontecimentos. Esta dedução se define A POSTERIORI.
2º) se pode tentar uma fundamentação ou dedução lógica a partir de uma verdade evidente, procedendo então através do raciocínio puro. Uma confirmação desse tipo seria  A PRIORI.
Freud tentou comprovar a existência do Inconsciente, através do 1º método e Lacan através do 2º.
O inconsciente ultrapassa o mundo, não é não-consciência e portanto verificação experimental é impossível. O 2º método também é impossível porque a linguagem é constituída por signos que exprimem significações, e estes estão ligados ao  mundo, não se pode fazer dedução lógica desse Inconsciente como existente.
Lacan propõe então um significante puro,  que  está alguém do signo. Há um sentido no psíquico. “O psíquico é o sentido.” (Juranville, p. 23). Há então uma anterioridade, algo que é estruturado, que é o sentido. Há uma antecipação desse sentido feira pelo sujeito.
As interpretações dadas a estas relações de sentido são ás vezes opostas, confrontadas com os fenômenos da linguagem. Como justificar esses fenômenos, torná-los verossímeis? “Sem a legitimidade de tais interpretações opostas, é difícil ver como que cada discursos do campo filosófico possa ter consistência e reclamar para si uma objetividade, apesar de necessária.” (Juranville,  p. 73)
Por isso se constrói um INVARIANTE, e um método de compreensão. Um método que vise a uma compreensibilidade de um  sujeito particular. A cadeia  significante, ou seja, as relações de sentido que vão de uma representação a outra, de um significante a outro, é a própria presença do desejo. O sentido é a unidade imposta pelo sujeito. E esse desejo é dado a priori na linguagem. E a ciência não pode privilegiar nenhum sentido.
O que Lacan trouxe de novo foi introduzir a Psicanálise um questionamento filosófico. Falar de teoria do Inconsciente, é o mesmo que falar de teoria do “desejo inconsciente”, e para a filosofia, de uma concepção do “ ser como desejo”.
         O que é que caracteriza essa anterioridade na consciência? É a atribuição de um sentido. Existe uma antecipação do sentido.
         No mundo há a presença de signos, que pressupõe um determinado conhecimento. Ele não traz um conhecimento. É o sujeito que dispõe antecipadamente do valor ou seja, da significação do signo (Juranville, p. 38). È o sujeito que faz deste acontecimento ou daquele comportamento um signo. Ele aparece como decorrente do próprio sujeito, colocado e constituído por ele.
E se resumirmos o modo de antecipação do sentido que aparece como característico daquilo que não é o inconsciente no sentido freudiano, cabe sublinhar:
1)   que se trata de uma determinação de real como decorrente do mundo do sujeito;
2)   que ele parece inseparável da linguagem e da lógica, na medida em que a linguagem seria um sistema de signos. Não restou a Freud senão a confirmação empírica para estabelecer essa existência. No fenômeno linguistico existem o significado e o significante, em todo fenômeno linguístico.
O signo é a representação da palavra, a palavra representada, na medida em remete à representação da coisa.
Na língua como em qualquer sistema semiológico (Juranville, p. 47) o que distingue um signo é tudo que o constitui. É a diferença que constitui a característica, assim como constitui o valor e a unidade. É a diferença pura, presente em cada um, que faz com que cada significante signifique aquilo que significa. O que ele significa remete àquele quem ele significa, e portanto ao sujeito.
Alguma coisa é significada para o sujeito. Mas o que lhe é significado (pelo significante) é que se assujeite á lei do significante – o significado do significante é o desejo e a castração, o desejo como castrado. Deve ser castrado para desejar. A concepção lacaniana do significante é inseparável de uma teoria do sujeito. A identificação constitutiva do sujeito, segundo Lacan, é identificação com um significante. “Um significante é aquilo que representa um sujeito para um outro significante.” ( Lacan, seminário). Ora, foi este rigor conceitual que Lacan introduziu na psicanálise. Lacan sustenta a descoberta de Freud ao assinalar a diferença entre o sujeito do inconsciente aquele cuja causa é o significante, e o sujeito de ser no mundo, o único para o qual pode haver representações. O significante é o  próprio ser.
A filosofia se dá como um discurso. A própria Teoria do Inconsciente é um discurso. Se pretende ser rigorosa, deverá então explicar como se constitui algo como um campo do discurso.
O discurso filosófico supõe o desejo de saber a resposta e a uma pergunta e de alcançar a verdade, mas também uma atitude fundamental de questionamento de verdade daquilo que pode ser dito pelos outros discursos, porém, mais profundamente, por qualquer discurso. É o questionamento filosófico que abre o campo do discurso.
Assim, esse campo pode ser chamado de campo filosófico. Mas será suficiente dizer que a Teoria do Inconsciente, na medida em que é um discurso, adquire seu sentido no campo filosófico? Esse questionamento tem um objeto que é o saber. A indagação tem valor em si mesma, não pelo saber a que poderia conduzir, mas pela experiência de não-saber que pressupõe. O discurso é dirigido e deve ter um efeito, que é essencialmente o de convencer. Pode-se dizer que todo discurso é MORAL, pois visa a levar a agir de outra forma, ao introduzir princípios e fornece as razões deles. Na medida em que é moral,  o discurso se caracteriza por sua impotência e sua (falsidade) (Juranville, p.64).
Os discursos do campo filosófico são respostas à questão do ser na perspectiva de sua unidade. O lugar onde concentra o caráter problemático do ser é a linguagem.
A experiência é, com toda certeza, aquilo que se opõe ao A PRIORI da lógica e da linguagem em geral. Para o empirismo, não existe verdade. A unidade que a linguagem confere às coisas não é de modo algum uma unidade real, mas, fictícia, imaginária. Para ele não há nada a desejar, nem mesmo o saber, o próprio viver é uma ilusão. O desejo valoriza aquilo que ele deseja. Daí que o desejo é desejo do infinito, metafísico. Para o empirismo existem apenas necessidades. Faltam-nos apenas objetos que não têm sentido nem valor em si mesmo. E a filosofia pode ser salva na medida em que se dedique a livrar o homem das ilusões que ela mesma produziu.                                                  
O discurso empirista é um discurso consagrado a afirmar a impossibilidade do discurso. Ele afirma o caráter ilusório do mundo com um todo organizado onde as coisas ganham sentido.
Para o discurso metafísico, a tese é a  que tudo encontra sentido no todo, de sorte que tudo é um. E é contra ele que Lacan irá afirmar que não existe universo do discurso. A Teoria do Inconsciente faz surgir algo que ultrapassa o mundo e sua organização. O ser de tudo o que é consiste em pensar, segundo parmênides. Para o discurso filosófico e metafísico há uma verdade (como realização do desejo incluído no questionamento filosófico), mas é preciso pensar o questionamento como contestação, como situação em que o desejo não é de modo algum experimentado como preenchido, mas, ao contrário, confronta-se consigo mesmo. Pensar, portanto, o desejo puro. De um lado, a verdade que se pode chamar total, do pensamento realizado, e de outro, a verdade parcial do desejo. De um lado a Psicanálise enquanto discurso filosófico e de outro enquanto técnica numa relação a dois – analista analisando, em que se comunicam verdades parciais.
Como são possíveis diferentes interpretações, análises opostas para os mesmos fenômenos da linguagem? Que sejam justificadas e verdadeiras? É impossível fazer ciência a partir de relações de sentido, que sejam analisadas opostamente? Pensando no lugar de quem teoriza um dado saber? De quem produz conhecimentos?
Sem a legitimidade  de tais interpretações opostas, é difícil ver como cada um dos discursos do campo filosófico possa Ter consistência e reclamar para si uma objetividade, apesar de necessária. Para o empirismo, o que é só pode ser provado no real sensível espacial e temporal. Por exemplo, na linguagem seriam o som, o ritmo, a velocidade, ou seja, o fenômeno sonoro dos fonemas que se sucedem no tempo e são enunciados num lugar do espaço.
Para Platão, na linguagem,  o que é a essência, aquilo que é fora do tempo e do sensível. Na linguagem, é a significação visada. Para ele, o ato da visada significante do sujeito não faz mais do que reencontrar uma essência que já está sempre presente (contemplada num ato de pensamento que é, ele próprio, de fato, subtraído do tempo), assim como o saber segundo a fórmula do Fédon e Menon, não é mais do que um relembrar-se.
O que é considerado por Platão para captar o sentido da linguagem humana, a significação, é considerado pelo discurso empirista como uma ficção produzida justamente pela linguagem.
Como Lacan resolve essa questão? As relações de sentido são ficções ou objetiváveis? O questionamento filosófico quer aprender o ser em sua verdade. Não é no nível do discurso, que tal demonstração pode ser efetuada mas a nível de estrutura do discurso. Dentro da estrutura do campo problemático da filosofia, talvez a resposta possa Ter deduzidas a partir de quatro problematizações:
1)   Não existe verdade;
2)   Existe uma verdade total;
3)   Existem uma verdade total e uma parcial;
4)   Existe uma verdade, mas unicamente uma verdade parcial.
Há nessa 4ª teoria uma contestação radical do saber, tal como implicado no questionamento filosófico.
A Teoria do Inconsciente postulada por Lacan assume essa Quarta possibilidade, sob o nome de discurso analítico. É uma Teoria que dá a resposta à questão do ser e de sua unidade. Existe apenas uma verdade parcial, uma Teoria do desejo puro. A cadeia significante, a articulação temporal de um significante, com outro, é a própria presença do desejo. Há no significante o advento temporal de um sentido, que é a unidade de alguma coisa que se desenrola efetivamente no tempo, mas como unidade subtraída desse desenrolar.
É a dimensão formal, estrutural apontada por Lacan nos fenômenos da personalidade. A criação de um postulado, de um axioma como tentativa de formar científica a Teoria da personalidade.
O sentido é a unidade, enquanto imposta pelo sujeito de uma diversidade sensível. O significante significa através de sua diferença dos outros significantes. Assim, só é um do ponto de vista dos outros. O significante é o indesejável e o desejante. Há uma articulação temporal, momentos de articulação temporal: quando um primeiro significante surge como desejável, ele é desejado do ponto de vista de um outro significante, e o desejo não é outra coisa senão aquilo que faz passar ou tende a fazer passar do segundo significante para o primeiro.
É um movimento que se efetua no tempo. Daí a cadeia do desejo, segundo Lacan. Diferente de quando Lacan fala da dimensão espacial dos fatos dos fenômenos da personalidade.
Para o empirismo o desejo é uma ficção, porque o empirismo trata é de necessidades. Lacan situa-se numa perspectiva genética que é cara ao empirismo. Pois, para ele, o desejo é dado a priori na linguagem. O desejo não se apóia na necessidade. Há um a priori  da linguagem, mas o homem teria que atualizar aquilo que , a princípio, só existe potencialmente. Lacan rejeita a psicologia genética de Piaget. E diz que os estágios da libido não se da ordem da pseudo maturação natural, mas se organizem em torno da angústia da castração. É preciso se quizerem seguir. Lacan, no que ele traz de realmente novo, dizer que não ser acende ao desejo, e sim castração, que o desejo está lá desde o início, não como virtualidade, mas como atualidades a partir da qual o outro ganha sentido.
Lacan se ateve a um rigor lógico cada vez maior. “Descobrir a verdade parcial e o desejo, como fez Lacan, exige que assumimos plenamente a afirmação de Platão segundo a qual somente o divino é a medida, a verdade total. Mesmo que ela efetivamente falte.” (Juranville, p. 83)
O que importa é o ato da fala. É aí que se encontra o desejo. O sujeito do desejo inconsciente não é o sujeito enunciado mas o sujeito da enunciação, onde Lacan situa a verdade parcial do sujeito. O desejo não é o que a fala exprime ou pretende exprimir, mas o que a fala constitui, o que ela é.
Nesse sentido, enquanto técnica    de tratamento que se propõe a cura, é insustentável, já que não se busca a eliminação do sintoma, mas a confrontação com a verdade parcial do sujeito. Não é possível se falar em finalismo utilitarista. O sujeito é essa cadeia de significantes, não há cura possível nessa cadeia. O tratamento é um relacionamento do sujeito com a verdade de seu desejo. A verdade total está positivamente excluída.
Se torna então impossível incluir essa teoria do desejo num discurso filosófico. Mas há que se fazer estudos muito minuciosos e exatos, com cautela, para podermos concluir de sua impossibilidade.
BIBLIOGRAFIA
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              Alexandre Kojéve. IDE, São Paulo, (21): 7279, 1991.

·      BAREMBLITT,  Gregório  Franklin.   Progressos   e   retrocessos   em  psiquiatria  e  psicanálise.
           São Paulo: Global, 1978.

·      GABBI  JR, Osmyr Faria.  A  pré  história  da  teoria freudiana     os   materiais   de  construção.
            Tese de Doutorado apresentada ao Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo.
            São Paulo, 1981.

·      JURANVILLE, Alain. Lacan e a filosofia. Rio de Janeiro: Jorge zahar Editor, 1987.

·       LACAN, J. Da  psicose  paranóia  em  suas relações com a personalidade. Rio de janeiro: Forense
           Universitária, 1987.

·       __________. Os escritos técnicos de Freud. Rio de Janeiro: zahar 1986. (Seminário I)

·       __________.Os quatro conceitos fundamentais da psicanálise. Rio de Janeiro: Zahar, 1985.   
           (Seminário XI).

·       OBILVIE, Bertrand. Lacana – A formação do conceito de sujeito. 2 ed., Rio de Janeiro: Zahar,
            1991.


Heloisa Antônia Franco 

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