Pensando a vida
Venho há muito tempo com uma
inquietude estranha ao pensar a vida de tantas crianças às quais tenho
acompanhado em seus momentos de desorganização, tristeza, fugas, dores físicas,
psíquicas, afetivas, num tormento de silêncios, fragilidades, gritos
silenciados de dor. Crianças com
dificuldades de compreender o seu lugar diante da estrutura desejante dos pais,
que não sabem como satisfazer enormes expectativas projetadas sobre suas
pessoas, expectativas econômicas, ao terem que dar conta de preservar e
continuar a acumulação de riquezas e de um status quo; expectativas
idealizantes narcisistas e afetivas, no sentido de terem que realizar antigos
projetos não realizados dos pais, projetos
muitas vezes impossíveis de serem realizados. Crianças que muitas vezes
ocupam o lugar desse sintoma familiar e desenvolvem um sentimento de fracasso
em relação a si mesmas por não conseguirem realizar o desejo de um outro.
Quanto sofrimento encontrado nessas andanças da vida ... Vida ! É preciso
repensá-la, nem que para isso eu tenha que usar o meu corpo e a minha
alma como lenha dessa enorme fogueira, como nos diz Fernando Pessoa.
Qual
seria o lugar desse pai na estrutura desejante da criança e de nós
adultos? Será que esse pai enquanto
paternidade já foi construído????? Ou
será que o pai que encontramos é o proprietário dos bens, da mulher, dos
“filhos da mulher” e da terra.
Por que pensar na falta do pai enquanto
falta concreta? Porque a maioria das crianças que chegam até mim com angústia, com distúrbios de comportamento
,dificuldades de aprendizagem ,de sono, transtornos de ansiedade,
obsessivos,fóbicos, em sua maioria não
têm pai, ou são filhos de pais
separados, ou não têm um vínculo afetivo
com o mesmo. A questão que se coloca é o que se passa com essas crianças, em
seu mundo afetivo, pulsional desejante?
Freud irá tentar responder à questão da
origem do inconsciente, dos fantasmas individuais e coletivos, nos fornecendo
uma explicação mítica através da criação
do mito da horda primeva , mito fundador da sociedade e das regras que a
regulam. Momento inaugural da queda do pai devido ao seu assassinato pelos
filhos. Esse mito é importante neste trabalho pois irá tratar da questão do pai
como organizador social e fundador de uma lei reguladora das relações entre a
família e a sociedade. Às vezes Freud dá uma explicação estrutural e outras,
biológica ou social, quando nos diz que o que funda o inconsciente seriam as
instituições sociais, como a igreja, o
estado e o exército.
Lacan irá postular que há um organizador das
relações sociais, do psiquismo, o qual ele deu o nome de NOME-DO-PAI – uma lei
que está acima de nós e que nos antecede e nos determina.
O que falta à estas crianças? Seria uma lei
interditora do desejo incestuoso? Seria uma imagem, e a falta dessa imagem
oferecida à criança como objeto a ser admirado e por isso mesmo desejado como
objeto a ser identificado? , imagem que também possibilita trocas afetivas,
sociais, libidinais com a criança. O pai na relação com o filho estabelece a
reciprocidade desejante, transmite ao filho o seu valor narcísico, a sua
capacidade de amar e ser amado, de ser reconhecido como sujeito desejável e
desejante, e o mais importante é que o
pai o reconhece como filho por um desejo de dar continuidade a uma história
pessoal geracional infinita... Continuidade através do filho de sua própria
história, muitas vezes para dar um sentido à sua própria existência, sentido de
tornar-se imortal através das gerações, ver-se repetido nos filhos, netos, bisnetos,
tataranetos, poder reparar os erros cometidos pelas gerações passadas. De seu
próprio pai, juntamente com as culpas vividas pelo seu ser criança, seus
traumas, e poder através dos filhos elaborar os traumas, culpas, temores e
impotências próprias. Ter filho para
poder reparar o machismo, os desejos invejosos, destrutivos já que acredito que a criança está no mundo como o
grande mestre, aquela que nos ensina a esperar longamente um futuro, nos ensina
a viver com alegria e entusiasmo, nos ensina a dividir e partilhar o tempo, o
espaço, o amor, o trabalho, a vida com o outro. Mas esse pai falta, nada quer
saber desse filho, o ignora, o rejeita, o maltrata, o marginaliza, o ofende, o
violenta, o ignora e aí vem a enorme pergunta angustiógena: O que me falta para
que o meu pai nada quer saber de mim? A criança atribui a alguma maldade
própria a negligência paterna...
Torna-se muito difícil chegar a crueza de uma resposta que violenta o eu de
qualquer pessoa: Sou um dejeto, ou nada sou para esse outro, sou a indiferença,
sou o nada. Serei pior que outras crianças?
Sou feia, deformada?
Questões que remetem ao ser desejante, ser
estético, ser ético – o bem e o mal, o justo-injusto,o verdadeiro-falso, serei
digno, suficientemente bom para merecer esse reconhecimento e amor paterno? ;
Ser existencial – deveria eu ter nascido? E se fosse em outro dia, teria sido
diferente? O que será que aconteceu no dia em que nasci? Meu pai fugiu? Ou saiu
correndo de mim? Meu pai morreu? Ou ele tem outra família? Ele ama os outros
filhos? Por que não eu?
São muitas histórias para contar e chorar e
também rir depois que a criança compreende que há dentro de cada um de nós a
capacidade para o amor... Há os pais assassinados pela mãe simbolicamente, pais
“falecidos”sem estarem mortos na realidade, mães revoltadas com fortes
sentimentos de abandono , desprezo e que transmitem à criança a sua menos
valia, o seu amargor e como só resta à criança presença e apoio materno, só lhe
resta se identificar com estes sentimentos, formando um duplo com a mãe, para
que não corra mais um risco de perder a
única pessoa que lhe resta. Mães que questionam a sua própria existência, se
faz sentido continuarem vivendo sem o amor desse marido que lhes deu uma
criança e desapareceu... Questionam o valor de desejabilidade...
Além dessas crianças sofrerem
conscientemente, inconscientemente, ainda têm que enfrentar o preconceito
social –filhos sem pai – têm que dar conta da demanda dos outros : Você não tem
pai? Mas “ele não te desejou, não quis saber de você? “
Com essa avalanche de sentimentos vão
surgindo um número infinito de tentativas de poder levar a vida adiante com o
menor sofrimento possível. Aparecem as vinganças contra esse desafeto – que é
projetado nos outros, outros que se tornam
perseguidores, as vezes sádicos, malvados, desejosos do próprio
sofrimento da criança. Outras vezes aparecem comportamentos masoquistas como
tentativa de expiar a culpa por algum dano causado ao pai seja na fantasia ou
na realidade.
Muitas vezes me coloco como advogada de
defesa dessas crianças e tento devolver a elas a força que lhes escapou ou foi
violentada... A sua auto defesa para lidar com um mundo hostil, enganador,
mentiroso, falso , omisso, perverso. O mundo que é o de muitas crianças que chegam
até mim. Se este mundo não é real, a criança o imagina, o fantasia, o cria na
tentativa de encontrar uma explicação para a falta desse pai -fantasma, que
pode ter um sentido concreto, imaginário ou simbólico. A mãe muitas vezes
impede que esse pai se faça presente na vida dos filhos, por vingança do
abandono vivido, elas impedem o contato com o pai no intuito de atacá-lo,
deixá-lo em falta para que sinta aquilo que elas viveram ao serem abandonadas,
como eles a deixaram em falta de amor, de cumplicidade, de sexo, de
companheirismo.
Então a pergunta que sempre me faço: O que
organiza o psiquismo dessa criança? O
que organiza a sua fantasmática? Seria
um saber que se sabe mas não se quer sabê-lo? Ou um saber que não se sabe?
Seria o complexo edipiano? Seria o mito da horda primeva? Seriam fases de
desenvolvimento mal organizadas? Seriam lutos mal feitos? Não simbolizados?
Seriam falta de representações? Seriam impedimentos de elaboração de
significação e resignificação da ausência paterna? Como representar algo que está negativizado
no psiquismo da mãe? Como significar alguém que a mãe odeia e esta é a única
garantia da criança?
Revisitando a história e suas vicissitudes,
encontramos em primeiro momento uma anarquia absoluta reinando entre os sexos,
ou seja, todos os homens pertencendo a todas as mulheres, poderíamos hoje fazer
uma leitura desse momento como a de muita
promiscuidade.
Em segundo momento os grupos foram se constituindo e só se relacionavam entre
si ( ver Origem da família ,da propriedade privada e Estado) ,
depois vem a monogamia – como diz Marx
- a maior invenção do século foi o complexo de édipo já que possibilitou
através da interdição do incesto a construção
e ampliação da sociedade, gerando
muitas trocas sociais, econômicas, sexuais.
Surge a monogamia e com ela a apropriação da mulher , dos bens, e a
conservaçào da propriedade. Como diz o provérbio popular “Ser mãe é uma necessidade , enquanto ser pai é uma
possibilidade” , já que ao longo dos
anos o papel desse homem nomeado pai, era o de ser o provedor de alimentos – provedor econômico???
Onde está o pai? A única certeza que
tinham em todos esses momentos era a da
maternidade. A mãe se engravidava do sol, da
lua ,da chuva, da terra que a
germinava. Vivemos desde tempos remotos numa sociedade matrilinear, no
sentido de que cabe às mulheres a
concepção, educação dos filhos, o ensino da boa convivência familiar, o
aprendizado da economia doméstica, a descoberta dos remédios que curam todas as
nossas dores, o ensino do amor afetivo, das trocas afetuosas, o ensino da ética
entre os irmãos , amigos, vizinhança. Ao homem, cabe trazer a caça para casa,
ou seja, a construção de seu ser, de sua identidade já se inicia através de uma
posse – posse de um bem material.
Os motivos pelos quais as pessoas têm me procurado na clínica
são devidos a relações muito intensas
que as crianças e mães estabelecem entre si, o que gera consequências no
desenvolvimento bio-psico social das crianças e produz relações de
interdependência. Penso que é necessário que um terceiro ( não-mãe ) venha
interceder nessa relação para que o sujeito se constitua como ser psíquico
separado, independente e autônomo. Muitas crianças se tornam fóbicas, obesas –
devoradoras
dos restos maternos, com sérios dificuldades na produção da escrita, no entendimento dos fatores históricos da
realidade, na construção de um saber sobre si mesmo, na construção de um eu
corporal, imaginário e simbólico, inibições, timidez, vergonha, inveja, ciúmes,
sentimentos de intenso ódio, competitividade exacerbada. Como diz um amigo, a falta desse terceiro não
pode deixar esconder o sol da alma e nem permitir que as palavras se calem. O
que estamos vivendo seria uma ausência desse terceiro?Seria a falta desse
terceiro o que estaria por trás desses sintomas??? Pergunta que traz inúmeras
dúvidas e que requer um amplo estudo para que possamos nos aproximar de uma
verdade ou de múltiplas verdades. Se faz
necessário que a criança veja, olhe para
o que não conhece e não sabe.... mesmo que esse sentimento lhe traga
muita dor , o de saber que pode haver um outro que não a deseja ou que não a
desejou, ou que não deseja a mãe e a
coloca no lugar de objeto de satisfação desta, a fim de se livrar de uma
demanda de amor; e, que há muitos outros
que a desejam, que a fazem sentir um ser
desejado e por isso mesmo, desejante.
Um fator importante na estruturação do sujeito
psíquico é o brincar , e neste brincar está também implícito como os pais
internalizaram o seu próprio brincar. O brinquedo tem um lugar importante na
estruturação da subjetividade, já que o jogo-brinquedo é para a criança o seu
primeiro objeto por onde ele escreve e se inscreve criando muitas brincadeiras.
Penso em pais rígidos, obssessivoa, controladores, e que ao reprimirem o
brincar e o jogar, o quanto estão produzindo nos filhos a inibição de uma
autoria do pensamento, da escritura própria, a possibilidade de estarem
construindo o próprio corpo através do
dar corpo ao brincar. Impedindo à criança de se mostrar e se fazer valer, ou
seja, a ter valor enquanto sujeito criador. Ricardo Rudolfo nos diz que esse
brincar seria o atravessador de todos os objetos de conhecimento que se
produzem jogando, o que está em jogo seria também o corpo e a emoção. Para a
criança esse brinquedo seria o espaço entre ela e o corpo da mãe.
(Winnnicott) ( revista 4 A Escrita}.
Enquanto joga se vão armando laços intersubjetivos onde a criança reconhece ao outro e o outro lhe
reconhece enquanto ser. O brinquedo-jogar tem para a criança algo de vida própria,
ele está vivo, e se a criança é impedida de ir-se construindo conjuntamente com
suas inventividades, quanta dificuldade surgirá posteriormente, de brincar com
suas próprias idéias, de mostrá-las ao outro, alargando a sua potência de ser criador. Quantos sintomas podem ser
produzidos a partir desses impedimentos. Uma questão que me tem tomado tempo em
reflexões é o de encontrar respostas para articulação entre o brincar, o
escrever e o mostrar a própria escrita.
É o caso daquela criança que sabe o conteúdo da matéria, mas que no
momento da escrita, há uma falha. Não sai. A criança sofre uma inibição impeditiva de se mostrar escrevendo. Há
também o fator de que na escrita o sujeito se mostra para o outro. Esse outro
seria representado como aquele que impediu o brincar? E as mães que jogam fora os brinquedos ( que
têm vida própria?), e a criança se sente como partes suas sendo destruídas, o
que as faz sentir talvez como dejetos, restos mortos, ou pequenos assassinatos
de sua alma? Como diz Ricardo Rudolfo, a criança ao escrever letras sobre um
papel se repete algo com profundas diferenças do que se punha em jogo ... Ele
fala da materialidade desse corpo que se escreve, e diz que a única maneira que
o menino tem de subjetivar algo como corpo, seja como corpo próprio, corpo do
outro, corpo do jogo-brinquedo, é através do brincar. E quando não consegue é
porque só se deram adaptacões operatórias , mas não se deu um processo de
escritura realmente subjetivante. Penso em uma criança que atendi, que se arrastava
pela sala como um lobo, grunhia como um lobo. Em seu eu e corpo imaginário
ficou inscrito que não poderia saber sobre sua origem.Poderemos pensar na
questão do ser e da alteridade. A mãe lhe tirou o conhecimento sobre sua
origem. Ela não pdia saber sobre o seu ser, então ao invés de criar um espaço entre ela e o outro, com a possibilidade de poder
brincar de ser lobo e não sê-lo, restou-lhe a opcão em ser algo que não fala, não pensa, não é
sujeito desejante, mas um objeto bicho animado sem palavra, sem escritura
própria, sem desejo, desejo de saber transformado em grunhidos. Ela era desejada como alguém que não pode desejar
saber, não pode ter acesso ao conhecimento, não pode indagar e nem dizer. Para ela, só restava ser um lobo furioso com
desejo de atacar . Segundo Ricardo Rudolfo, o brincar-jogar está na base de
toda a corporeidade subjetiva ( corpo que não fala, que não brinca em ser ),
mas que é o que o outro demanda – ser não pensante. Tudo que há de um corpo no
sentido subjetivo, não se pode reduzir a coisa nem a um organismo biológico,
não se pode cristalizar em uma forma, em uma identidade. Há jogos que foram em
um momento e logo passam, e o que continua aí já não são joguetes. Será que
poderíamos dizer que essa criança não jogou sendo o lobo, mas se colocou como
sendo o lobo, encerrando o jogar, o brincar, pois o outro não lhe permitia
outra saída, que seria a do dizer, denunciando que o pai não estava morto, e
que ela o desejava, desejava sair da relação especular estabelecida com a mãe. Assim
a mãe lhe dizia: O pai morreu. Nós sabemos que a criança se estrutura a partir do olhar do outro sobre ela. No caso
dessa criança, se não há quem os constitua como seres pensantes, se tornam
coisas.
Osvaldo
Saidon nos faz uma pergunta que considero relativa à essa questão que estamos
discutindo: Que fazemos com a arte de viver ou como tratamos nossa vida em
relação às artes diferentes de vivê-la? Será que quando a criança se coloca
como sendo o lobo, é uma maneira de criar arte e de viver o personagem-lobo
como arte de viver? Ao mesmo tempo que é um sintoma do silenciar-se, de uma
morte psíquica, é também um desejo de continuar dizendo de forma animalesca
aquilo que não pode advir em palavras, como nos diz Freud, o sintoma é uma
tentativa de cura e ao mesmo tempo uma solução de compromisso entre um desejo
e uma defesa. No caso há o desejo de
existir simbolicamente, tendo um sobrenome que contém sua origem e toda sua
história, mas há que se defender por temor de perder o amor materno, já que
vive esse amor como única garantia de sobrevivência. Se esta lhe falta, perde o
chão que a sustenta , podendo advir uma psicose. Eu sentia nessa criança uma
angústia profunda, a qual estava inscrita em seu corpo e em sua afetividade.
Era arredia, não suportava aproximações, vinculações. Ela vivia a morte de um
pai vivo. A mãe o chamava de falecido. Faltava à criança respostas para muitas
perguntas que são fundantes e estruturantes do ser : Quem sou? Qual é minha
origem? Na falta de uma palavra que a nomeia como ser simbólico, só pode se
inscrever no corpo imaginário e simbólico
como coisa animal inexpressivo que grunhe. Assim construiu o seu
território existencial para poder habitar o mundo e não sucumbir numa psicose.
Ficava no limite entre a normalidade e a anormalidade. Na berlinda da vida ...
Ao mesmo tempo ela produziu um acontecimento – só posso ser bicho, mas bicho
forte e que ataca, se defende dessa selvageria dos grunhidos florestais,
mostrando à mãe o que esta queria ocultar, que a criança deve se colocar como
alienada em seu desejo de saber sobre sua origem, sobre o seu ser. A escritura
irá colocar em jogo todos os acontecimentos que produzimos em vida.
Segundo
Saidon , nos modos de existência, nos estilos de vida sempre tem uma estética
da vida e uma ética. A dificuldade que nos produz a escritura, se
inscrever-escrever-se como lobo, é justamente uma pergunta sobre a estética da
vida, por ser uma indagação de como considerar o belo nela mesma – ser lobo é
ser belo? Já que ataca, se defende, se
ama lobo, e o grunhido é como uma voz abafada, que nos coloca diante de um
desejo de dizer, de denunciar, de se inscrever como sujeito de desejo. O estilo
de vida se transformando em uma invenção. Parece ter sido necessário inventar
uma forma de dizer o que era para ser ocultado, inventar uma nova possibilidade
de vida.
Heloisa Antônia Franco
Heloisa Antônia Franco
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